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Destino: Independência Financeira - #2: Sob um teto orçamental pt. 2

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martusamak
62
2 years agoSteemit6 min read

Métodos e ferramentas de Orçamento em Finanças pessoais

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São várias as técnicas e ferramentas para criar e gerir um orçamento. O importante é experimentar, procurando um sistema que seja mais eficaz para nós, que fomente hábitos saudáveis na gestão das nossas finanças pessoais, e que seja flexível ao ponto de permitir adaptação e optimização há medida que vamos utilizando esse mesmo sistema. Há quem se adapte melhor à divisão do dinheiro vivo disponível para cada mês. Há quem prefira, registar tudo num caderno destinado a esse efeito. Outros acharão mais simples e prático utilizar uma folha de cálculo ou pagar por uma aplicação.

Numa era digital por excelência, recorrer a ferramentas como uma folha de cálculo é, na minha opinião uma das formas mais funcionais de organizar um orçamento. Definidas as categorias numa tabela, a mesma pode ser replicada vezes sem conta, erros podem ser corrigidos sem deixar marcas, ao contrário do papel, e os cálculos podem ser automatizados, através de formulas muito simples, tornando todo o processo mais fácil e imediato.

Para quem quiser poupar tempo, e usufruir da acessibilidade a qualquer momento, aplicações para smartphone podem constituir a ferramenta de gestão do orçamento pessoal por excelência. Aplicações como o YNAB, Boonzi, ou Wallet, para Android, tornam-se, na minha opinião, na derradeira ferramenta para:

  1. Definir um orçamento pessoal a partir de categorias sugeridas pelos desenvolvedores ou outras criadas por nós;
  2. Registar todos os movimentos poucos segundos após estes se terem efectuado, pela facilidade com que acedemos ao nosso smartphone
  3. Porque muitas destas aplicações oferecem ferramentas de análise dos nossos gastos, podemos ter acesso a dados que de outra forma seriam mais difíceis ou complexos de visualizar, permitindo-nos ajustar comportamentos de consumo.

A principal desvantagem é que muitas destas aplicações são pagas, acrescendo mais uma despesa ao nosso orçamento. No entanto, se constituir uma ferramenta que nos permita poupar e controlar melhor as nossas despesas, certamente merecerá o investimento.
É óbvio que muitas destas apps obrigam a uma configuração inicial e a uma aprendizagem pois cada uma delas constitui uma ferramenta com uma determinada Interface que é precisamos de aprender a usar. No entanto estas aplicações destacam-se, umas mais do que outras é certo, pela facilidade com que se aprende a utilizar, e algumas, como é o caso do YNAB, dão acesso a “aulas” respeitantes ao tema das finanças pessoais orientadas para as funções dessas mesmas aplicações.

A minha experiência pessoal com o YNAB (You Need A Budget)






Muito do que sei sobre orçamento pessoal deve-se ao YNAB (You Need A Budget), uma ferramenta digital que nos ajuda a planear o nosso orçamento pessoal, assim como nos ensina estratégias para melhor gerirmos o dinheiro. Sobre o YNAB recomendo vivamente que visitem o site, e que leiam também o post do @zpedro sobre o mesmo.

Podem utilizar outra app como o Boonzipor exemplo, uma folha de Cálculo ou um caderno de papel. O importante é que funcione e que vos mantenha motivados.

O YNAB em particular, postula 4 regras de ouro para ter sucesso orçamentando com essa ferramenta, mas essas mesmas regras são válidas e transponíveis para outras plataformas. Na minha interpretação pessoal, essas regras são:



  1. “Give every dollar a job” - Delegue tarefas a cada euro (dólar, real, etc.) que possua. O primeiro passo para fazer o seu dinheiro trabalhar para si é atribuir-lhe uma tarefa. Aqui não falo especificamente de investimentos mas sim de saber que, por exemplo, todos os meses 14 € do meu rendimento estão destinados ao seguro do carro que vence em Setembro de cada ano. Assim, a tarefa dessa quantia é aguardar pela factura, e eu evito surpresas perfeitamente previsíveis no mês em que essa conta chegar. O importante é que cada Euro do seu rendimento esteja destinado a uma determinada função, a uma determinada despesa.

  2. “Embrace your true expenses” - Assuma o valor real das suas despesas. Tomando o exemplo acima do seguro automóvel, podemos pensar que o valor do seguro são 168€ por anos, cobrados em Setembro mas, na realidade, são 14€ euros por mês. Se Assumirmos essa despesa mensalmente, não só é muito mais cómodo amealhar esse pequeno valor, como conseguimos manter o mesmo padrão de consumo no mês em que surgir essa factura. O mesmo é válido para os presentes de Natal e de Aniversário, o seguro de saúde, as propinas, a manutenção automóvel, etc.. Evitamos surpresas, assumindo as despesas anuais que nos esperam.

  3. "Roll with the punches" - Faça ajustes constantes se necessário, optimize. O orçamento pessoal deve ser definido para um mês em particular, sem procurar fazer previsões ou futurologia financeira para todos os meses do ano. A tendência será fazer um orçamento muito rígido para todo o ano, resultando rapidamente em frustração por não ter conseguido esse plano ideal. O melhor é ir orçamentando mês a mês sem perder o foco nos nossos objectivos. E ir optimizando e ajustando em função das suas necessidades e desempenho. Os “deslizes” orçamentais são permitidos se estivermos dispostos e reconhecê-los e pensa-los criticamente. Por muito disciplinados que sejamos, os imprevistos acontecem. Um orçamento flexível acaba por ser mais realista.

  4. "Age your money" - Envelheça o seu dinheiro, procurando, quando possível, viver este mês com o valor recebido no mês anterior. Isto de forma simples significa que uma enorme paz de espírito pois conseguiu sair da “corrida de ratos”. Deixa de depender do ordenado deste mês para pagar as contas pois estas estão a ser pagas com o dinheiro do mês anterior. Uma forma simples de alcançar isto é orçamentar as suas despesas fixas num valor acima daquele que sabe que vai gastar em apenas um mês. Repetindo o processo durante vários meses, acabará por sobrar dinheiro acumulado nos meses anteriores para pagar as despesas do actual, logo, o dinheiro deste mês pagará as despesas do próximo.

Estas são regras que eu considero transversais a qualquer orçamento, em qualquer plataforma, no que refere a finanças pessoais. O importante é adaptarmos as regras à nossa realidade e objectivos.

Um orçamento realista torna-se muito mais eficaz e menos frustrante. Com o tempo vamos não só adaptando o orçamento às nossas necessidades, como nos vamos nós adaptando às aos objectivos que vamos delineando. No fundo o orçamento é uma ferramenta de auto controlo e educação. Um plano de viagem que vamos delineando à medida que avançamos, percebendo para onde queremos ir, evitando os perigos e encontrando soluções flexíveis para os problemas encontrados no caminho.

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